A vida que passa por mim
Terminas uma tarefa e já estás a pensar na seguinte. Atravessas uma divisão, respondes a uma mensagem, preparas uma refeição. Ao fim do dia, sabes o que fizeste, mas custa recordar como estiveste dentro de tudo isso. A experiência ficou quase sem testemunha.
A atenção consegue aproximar-te dessas horas. Enquanto fazes algo habitual, repara no movimento das mãos, na impaciência, no interesse ou na vontade de terminar. Há informação pessoal nessa forma de estar, mesmo quando a atividade parece demasiado pequena para merecer um olhar mais demorado.
Encontrar presença numa tarefa comum também dá lugar ao prazer. O som de uma voz, a satisfação de compreender alguma coisa ou o gosto de arranjar um espaço tornam-se mais nítidos. A vida tem espessura para além da lista em que organizamos as suas exigências.
Uma tarefa comum pode então ganhar espessura: existe o gesto e existe alguém a vivê-lo. O dia conserva as mesmas horas, mas alguns instantes deixam de passar sem testemunha. A presença encontra lugar nessa experiência modesta de reconhecer a própria vida enquanto ela acontece, entre o que fazemos e o modo como estamos a fazê-lo.
Afirmação Vital
Hoje quero reconhecer a vida que acontece entre as minhas tarefas.
Para refletir
Em que momentos do dia sentes que estás realmente presente?
Prática Vital
Escolhe uma atividade habitual e observa o que sentes enquanto a fazes, durante dois minutos.
Ao fim do dia
Em que atividade habitual encontrei hoje um detalhe da minha experiência que antes passava despercebido?